DECORAÇÂO

Casa e vida feitas de livros O genuíno também tem muito espaço na decoração. Alguns, só precisam do necessário. Conheça a casa do jornalista e romancista Raimundo Carrero

Gabriela Bento
Especial para o Diario
gabriela.bento@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 14/04/2018 03:00

Em um agradável apartamento  da Zona Norte do Recife vive o jornalista e escritor Raimundo Carrero, autor de livros como As sombrias ruínas da alma e O senhor agora vai mudar de corpo. Há alguns anos o romancista passou a se dedicar às suas obras em casa. Agora, a residência do autor é, além de lar, escritório e refúgio. “A minha casa é a minha vida. Parece programa do PT, mas é verdade”, brinca o escritor ao falar do seu cantinho. Lá, nascem os novos exemplares e artigos publicados no Diario de Pernambuco, o que resultou em ambientes ainda mais recheados de conhecimento. Na casa do escritor, por onde se anda há obras, sejam elas quadros ou livros.

Embora seja possível ter vários tipos de decoração, das mais sofisticadas e clássicas às divertidas e contemporâneas, o genuíno tem muito espaço. Afinal, o mais importante é que ela tenha a sua cara ou, quem sabe, a sua alma. Na casa do romancista, a decoração traz referências naturalmente relacionadas às raízes dele. “Eu nasci no Sertão, em Salgueiro, e, ao contrário de muitas pessoas, quando chorei, ao invés de me darem leite, me deram livro”, lembra.

Nascido em família grande de cinco irmãs, quatro eram professoras. Com toda a experiência literária, paixão que o acompanha desde a infância, Carrero vive o que mais tem em seu lar. “Na minha casa, os livros estavam nas cadeiras, estantes, até banheiros. Aonde eu estivesse tinha livro. Então, ainda pequeno, li livros de autores como Shakespeare e Dostoievski”, comenta.

Até hoje, o autor já publicou 21 livros. Alguns deles traduzidos em seis idiomas. Além do universo literário, Raimundo Carrero também dedicou 25 anos da sua vida ao mais antigo jornal da América Latina, o Diario de Pernambuco. “Entrei com 17 anos na redação. Chegava às 9h e saia às 4h. Eu fazia a reportagem, a capa, a primeira página e fazia plantão permanente. Eu era louco por isso. Entrei em 1969 e pratiquei o jornalismo até a exaustão”, conta. Apesar de já consagrado no universo literário e jornalístico, o escritor opta sempre pelo simples. “Sou muito caseiro. Sou uma pessoa da reflexão e da escrita. Só preciso de tempo e espaço para desenvolver as minhas aptidões literárias”, esclarece.

Na decoração da residência do romancista só há espaço para o que é amado e necessário. As obras de arte são de artistas que ele admira. “Gosto de quadros. Não tenho preferência nem por linhagem, nem escritores. O meu pintor preferido hoje é filho da minha mulher, o artista Pedro Buarque”.  

A arte sacra também compõe a decoração do lar do escritor. “Sou muito religioso. Tenho várias peças por questões de crença mesmo”. Apesar de dominar os espaços com os seus livros, a esposa do escritor, a médica e poetisa Marilena de Castro Carrero também dá o seu toque na casa.

“As plantas da minha mulher são vida. São o orgulho dela, ela cuida muito. Eu não tenho paciência, infelizmente”, brinca.

Arte por toda a parte
As plantas são orgulho da mulher de Carrero, Marilena; na decoração, há espaço para a superstição e para a religiosidade