Apartamentos compactos com projetos inteligentes Algumas regras básicas para ganhar amplitude e gastar menos podem salvar um cantinho com poucos metros quadrados

Gabriela Bento
Especial para o Diario
gabriela.bento@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 23/06/2018 09:00

Em se tratando de sonho de moradia, a Avenida Boa Viagem ainda aparece como um dos bairros queridinhos entre os recifenses, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE). Por lá, os apartamentos comercializados têm, em média, entre 189 m2  e 368 m2. Mas as novas ofertas na capital pernambucana e em outras grandes cidades brasileiras fogem deste padrão. Os imóveis compactos têm sido a escolha de recém-casados, solteiros e trabalhadores que moram de segunda a sexta-feira longe de suas famílias. Costumam ser módicos 50m2 e alguns nem passam dos 30m2.

Nestes “apertamentos”, como se diz na gíria que lembra lugar apertado, cada centímetro vale ouro. Por isso, é importante investir no ambiente com inteligência. Os desafios são muitos, mas a missão não é impossível. Para a arquiteta Fernanda Zerbone, do escritório Ponto 5 Arquitetura, otimizar espaços e escolher peças funcionais são boas alternativas. “Integração dos espaços, armários multifuncionais e uso de espelhos são alguns dos maiores truques”, revela. No apartamento de Eduardo e Deise Fugagnoli, que se casaram há pouco mais de um ano, algumas paredes foram abolidas para valorizar os 47 m2 do local. “Integramos a varanda, a sala e a cozinha. A mesa que sai de um armário é que faz a divisória, o que trouxe amplitude”, diz a arquiteta.

A ideia de Eduardo e Deise era economizar. Eles já possuem residência fixa em Garanhuns, no Agreste, onde Fugagnoli atua como engenheiro, e a esposa ainda pega 100 km de estrada até chegar em Catende, pra dar expediente como funcionária pública. Os dois são do Recife e suas famílias também. Para eles, toda sexta-feira é dia de arrumar as malas. E, por aqui, eles não queriam fazer feio, mas não podiam exagerar nos gastos. O projeto superou as expectativas do casal e parece que a varanda até virou xodó. “Ela tinha uma porta de correr e tomava uma boa metragem do apartamento. A arquiteta propôs colocar uma cortina de vidro e agregar à sala. E realmente ganhamos amplitude”, conta Eduardo.

Fernanda revela outros segredos valiosos que conquistaram o casal. “Não cabiam as quatro cadeiras que eles queriam na varanda, então, optamos por uma mesa tipo stand up, uma espécie de bancada suspensa, o que já abriu um bom espaço. Para delimitar esse ambiente, usamos papel de parede, dispensando qualquer tipo de porta, que foi um ótimo custo-benefício para eles”, explica a especialista.

Os presentes de casamento não poderiam ficar amontoados no novo lar. A saída foi usar armários maiores, com diversos nichos, em uma parede contínua, ganhando profundidade. “Todo o apartamento tem bastante espelho, dando uma amplitude boa. A cozinha e a sala ficaram integradas. Os espaços dos móveis planejados foram otimizados para conseguir guardar o que temos. Hoje sobra armário”, brinca.

OUTRAS DICAS
Mas um apartamento pequeno inteligente deve respeitar outras regras básicas. Nos quartos, por exemplo, a dica é ter camas embutidas ou aproveitar a box como um baú. “Você pode organizar a roupa de cama e de banho ou até mesmo guardar malas. Na iluminação, prefira o máximo de luminosidade possível. Quanto mais escuro, maior a sensação de um ambiente mais apertadinho”, indica Zerbone.

Na sala, a arquiteta lembra de mais soluções para a pequenez dos apartamentos modernos. “Mesas multifuncionais são a alegria de qualquer dono de casa. Elas podem mudar de altura, abrir na lateral ou mudar de composição. São coringas pra aproveitar até na casa toda”, acrescenta. Quer valorizar o comprimento de um ambiente? Outra alternativa da arquiteta são as sancas. É uma ótima pedida para alongar o espaço com iluminação, induzindo um percurso, dando a ideia de continuidade.