DECORAÇÂO

Na minha casa tudo é divertido Barata e autêntica, embora pouco conhecida, a decoração kitsch faz sucesso entre aqueles que têm personalidade

Gabriela Bento
Especial para o Diario
gabriela.bento@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 19/08/2017 03:00

Apesar do termo alemão kitsch ser utilizado para tudo aquilo que é de “mau gosto” no campo da estética, na prática ele pode compor e trazer vida para os lares. O conceito caminha entre o chique e o cafona de forma sutil, com cores fortes, objetos e estampas marcantes, que surgem em aplicações “controversas”, flertando com o “brega”, mas que namoram mesmo com o “diferente”, o exótico. O estilo, além de carregar uma alma divertida, tem um ponto bastante atrativo: arriscar-se nessa tarefa pode ser muito acessível, já que peças baratas, de valor sentimental, de gosto duvidoso, que copiam referências do sofisticado, são bem-vindas. Mas é bom ficar atento: a linha para sair do cool e cair no mau gosto é tênue, mas esse desafio pode conquistar e provocar ainda mais a sua criatividade.

É possível que haja algum toque do conceito kitsch na sua casa e talvez você não saiba. Objetos como abacaxis de cerâmica, pinguins que ficam em cima da geladeira e galinhas porta-ovos são itens bastante comuns nos lares dos brasileiros.

O casal formado por Chico Lacerda, professor da Universidade Federal de Pernambuco e diretor de cinema e João Vigo, administrador e ator, é adepto do estilo kitsch, mas tudo aconteceu de forma natural, no apartamento localizado no bairro da Boa Vista, Centro do Recife. “Não foi nada pensado, fomos adicionando as peças e ganhando também. O dono das poltronas, por exemplo, queria dar um fim a elas. Salvamo-as”, explica Chico.

O valor afetivo está quase sempre presente nesse tipo de decoração. Não é diferente com o apartamento do casal. “Ganhamos a mesa da minha mãe. Os quadros, trouxemos alguns de viagens. Vieram com lembranças boas. Infelizmente, no Recife, é difícil encontrarmos feiras de antiguidades. Temos peças antigas, mas não são caras. Compramos pelo visual”, conta o diretor.

Apesar de amarem decoração, os gostos são diferentes, assim como as personalidades. “Para comprar um quadro de garças foi uma briga. João disse que não entraria aqui, mas hoje ele está logo na entrada. Já apareceu em vários filmes meus, inclusive. Amo esse quadro, amo o cafona. João prefere arte sacra e antiguidades”, complementa Chico.

De acordo com o arquiteto João Vasconcelos, do Dubeux + Vasconcelos, sentir-se bem em seu lar está sempre em primeiro lugar. Mesmo que seja ousado, o lugar é seu. “É bom viver o seu espaço. Colocar a sua personalidades, dar alma ao ambiente, com a sua cara”. Não se impressione com toda a mistura, quanto mais divertido, melhor. “O excesso é uma característica muito forte dessa estética, principal, diria. O conceito kitsch é quase que o oposto do minimalismo”.

Para o arquiteto Luiz Dubeux, é possível compor com pouco, mas garimpar é necessário e ainda pode ser a melhor parte. “Esse estilo é muito amplo e relativamente simples, qualquer coisa pode ajudar. Um objeto de família, uma mistura de cores e/ou estampas, basta procurar. É divertido”, garante Luiz. Segundo a dupla do Dubeux Vasconcelos, o excesso, bem trabalhado, pode trazer bons resultados. “Saber aplicar peças certas, de forma lúdica, é a chave”, afirmam.

Criatividade é mais do que bem-vinda, independente de conhecimento. A contadora e artesã Ana Lúcia Anacleto também se arrisca constantemente na estética, mas não tinha intimidade com o termo. “Sempre decorei de forma intuitiva, eu gosto de cores fortes e de misturar estampas. Trabalho com arte, respiro arte. Acho que a nossa cultura conversa com o estilo”, explica. Em sua casa, é possível perceber que cada item foi pensado com carinho. “Eu que fiz a mesa para colocar o altar e fiz decoupage nos santos”.  Para Ana Lúcia, encontrar peças que possam compor, não é tarefa fácil, mas basta andar atento. “Eu encontrei algumas almofadas lindas no Centro do Recife, mas também compro em feiras. Sempre procuro”.

Para compor, um olhar atento é muito bem-vindo. O arquiteto João Vasconcelos deu algumas dicas para iniciar nessa tarefa. Na construção do projeto, cada peça terá um motivo de estar ali. “Esse estilo é muito legal, pois coloca em evidência o seu gosto mais diferenciado, valoriza a sua história. É preciso ter coragem para assumir. Mas não se preocupe com rótulos”. Além dos objetos, cores e estampas também entram no estilo de decoração kitsch. Cortinas e toalhas podem ganhar novos tipos de tecidos. Já as paredes podem fazer um jogo de cores com toda a decoração. “Ainda é possível brincar com os móveis. Renovar o estofado ou laquear as peças de marcenaria são boas ideias”, indica.

Mapa da mina

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é possível renovar o estofado e colocar uma bela estampa ou laquear aquela peça de marcenaria.

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Aposte
não tenha medo de arriscar! O resultado da sua dedicação será uma casa com vida e cheia de personalidade.